Cristina Campos

Casa no Interior de São Paulo

por Cris Campos - 10 de abril de 2010

Casa as margens da represa de Ibiúna, interior de São Paulo.

Essa casa foi projetada para abrigar uma família com três adolescentes, que curtem esportes náuticos e a vida ao ar livre. Espaçosa e prática, onde todos os ambientes são bem aproveitados, a arquitetura foi concebida tirando partido das linhas retas e da simplicidade e padronização dos materiais de acabamento. O diferencial dessa casa, que confere a ela uma linguagem contemporânea, é exatamente o revestimento das paredes internas e externas: o tijolo queimado. Gosto muito dessa unidade de acabamentos em todos os ambientes, acho que da a impressão de uma integração maior ente o interior e exterior. Além disso, o material e tão bonito que dispensa mais decoração para as paredes.

Grandes portas de vidro integram a casa com a belíssima paisagem da represa. A piscina tem dimensões generosas, 5×17,5m, e foi revestida em pastilha cerâmica Jatobá. A água e reciclada por meio de filtro, evitando desperdício. Nas laterais, um degrau interno forma um banco.

A sala de estar, com pé-direito duplo, se prolonga pra varanda através das amplas esquadrias de alumínio e vidro, com 2,80×3,00m. O piso foi executado em cimento polimérico, um material impermeável, fácil de limpar e resistente a impactos.

A  lareira na sala deixa o ambiente mais aconchegante para ser usado em dias frios. A chaminé é camuflada pelos tubos de aço inox, o que dispensou rasgos na parede. Confesso que acharia mais bonito se fosse embutido, acho que os tubos chamaram muita atenção na parede tão clarinha. A escada, bem leve, tem inspiração náutica e foi executada em alumínio com piso de madeira. Recebe iluminação natural através de uma clarabóia.

A porta pivotante, com estrutura metálica e réguas de cumaru, vira um painel quando fechada. Na área intima a opção para o piso foi um carpete de madeira que, por ser um piso quente, funciona bem para os quartos. Nessa foto da pra ver os tijolos mais de perto. Apesar de ser um material simples, aqui ele tem um efeito bem sofisticado. Os blocos aparentes, depois de impermeabilizados, receberam uma fina camada de pátina.

Projeto de João Armentano.

Fotos: site casa

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Igrejas surpreendentes

por Cris Campos - 04 de abril de 2010

Para celebrar a Páscoa, trouxemos uma seleção de igrejas surpreendentes, seja pela sua arquitetura, localização, grandiosidade ou pela sua história. As Igrejas representam um lugar de reunião e expressão da fé cristã, onde a arquitetura tem o desafio de expressar essa fé e apresentá-la ao mundo, além de acolher a comunidade cristã, representando seu local de reflexão, recolhimento e louvor a Deus.

A Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, em Brasília, foi inaugurada em 1970. Projetada por Oscar Niemeyer, tem uma área circular da qual se elevam 16 colunas de concreto. Possui uma estrutura singular e audaz que mostra a genialidade do arquiteto e o caráter inovador do calculista, Joaquim Cardoso. O conjunto é pontuado por diversas obras de arte. Já na praça de acesso ao templo, encontram-se quatro esculturas em bronze representando os evangelistas. No interior da nave, estão as esculturas de três anjos, suspensos por cabos de aço, de Alfredo Ceschiatti, com a colaboração de Dante Croce. No batistério, um painel em lajotas cerâmicas pintadas por Athos Bulcão. O campanário doado pela Espanha, composto por quatro grandes sinos, completa o conjunto arquitetônico. A entrada faz-se através de uma área de paredes negras tida como zona de meditação. O interior é banhado por luz natural filtrada pelos vitrais coloridos de Marianne Peretti e lá vê-se a “Anunciação a Maria”, também de Athos Bulcão, a Via Sacra de Di Cavalcanti e a primeira réplica da Pietá de Michelangelo, feita de mármore e resina. Mesmo passando por ela todos os dias, ainda me surpreendo com essa estrutura magnífica!

O Templo Expiatório da Sagrada Família, também conhecido simplesmente como Sagrada Família, é um grande templo católico da cidade catalã de Barcelona, na Espanha. Desenhado pelo arquiteto catalão Antoni Gaudí, é considerado por muitos críticos como a sua obra-prima e expoente da arquitetura modernista catalã. O projeto foi iniciado em 1882 e assumido por Gaudí em 1883, que dedicou seus últimos 40 anos de vida a essa construção. Não se estima a conclusão para antes de 2026, centenário da morte de Gaudí. No início em estilo neogótico, o projeto foi reformulado completamente por Gaudí, sendo composto por três grandes fachadas: a Fachada da Natividade, quase finalizada com Gaudí ainda em vida, a Fachada da Paixão, iniciada em 1952, e a Fachada da Glória, ainda por completar. Segundo o seu proceder habitual, a partir de esboços gerais do edifício Gaudí improvisou a construção à medida que esta avançava. Além das formas excêntricas, típicas de Gaudi, essa igreja surpreende pela história de sua construção.

Igreja do Jubileu em Roma, na Itália, foi projetada em 1996, pelo arquiteto Richard Meier. Os volumes e formas são responsáveis pela clara distinção de funções. A área sacra caracteriza-se pelas curvas e abriga nave principal, capela, confessionários e altares. Ao norte, a porção profana – que se destina ao centro comunitário e à residência do pároco – revela o predomínio das linhas retas. As curvas do espaço sacro são formadas por círculos deslocados que se materializam em conchas de concreto protendido moldadas in loco, revestidas com mármore travertino. São três curvas, que, segundo o arquiteto, fazem discreta alusão à Santíssima Trindade. Os intervalos entre as conchas são vedados por caixilhos e vidros que permitem a entrada de luz natural no templo. Dessa forma, de acordo com a estação do ano, o tempo, a hora e a intensidade de luz, modifica-se a percepção do espaço. As paredes são de cimento especial com dióxido de titânio que ajuda na despoluição do ar.

 A Catedral de S.Basílio, localizada na Praça Vermelha, em Moscou, pertencente à Igreja Ortodoxa Russa. Sua construção foi ordenada pelo Czar Ivan, o Terrível, para comemorar a conquista do Cantão de Kazan, que realizou entre 1555 a 1561. Em 1588 o Czar Fiodor Ivanovich ordenou que se agregasse uma nova capela no lado leste da construção, sobre a tumba de São Basílio, o Bendito, santo por cujo nome foi chamada popularmente a catedral. São Basílio se encontra no extremo sudeste da Praça Vermelha, justamente na frente da Torre Spasskaya de Kremlin. Sendo não muito grande, consiste de 9 pequenas capelas. O conceito inicial era construir um grupo de capelas, cada uma dedicada a cada um dos santos em cujo dia o Czar ganhou uma batalha, mas a construção de uma torre central unifica estes espaços em uma só catedral. A lenda fala que o Czar Ivan deixou cego o arquiteto Postnik Yakovlev, para evitar que construísse uma outra construção tão magnífica! Ai se essa moda pega…

A Capela Notre-Dame-du-Haut de Ronchamp, na França, foi projetada pelo arquiteto Le Corbusier, considerado um dos mais importantes do século XX. As janelas nas paredes espessas e curvas deixam entrar uma luz fraca e indireta. A arquitetura fina e curvilínea da capela é surpreendente pelo que se via de Le Corbusier, um arquiteto racionalista que acreditava apenas no ângulo reto. A capela é repleta de contradições arquitetônicas, ao mesmo tempo quadrada e redonda, alongada e contida, baixa e alta. Por esta contradição à arquitetura de linhas retas de Corbusier e ao fato de este ser ateu, a capela de Ronchamp foi uma das obras que causaram mais polêmica e dificuldade de assimilação pela crítica, tanto por parte dos arquitetos quanto pelo público.

Catedral de Nossa Senhora de Las Lajas, no município de Ipiales, Colômbia. Construída entre 1916 e 1949 sobre dois arcos, no rio Canyon Guaitara, é considerada uma das maravilhas da Colômbia. Segundo a lenda, este foi o lugar onde uma mulher indiana chamada María Mueses de Quiñones estava levando sua filha surda-muda Rosa de costas perto de Las Lajas ( “The Rocks”). Cansada da subida, Maria sentou-se sobre uma rocha, quando Rosa falou (pela primeira vez) sobre uma aparição em uma caverna. Mais tarde, uma misteriosa pintura da Virgem Maria carregando um bebê foi encontrada na parede da caverna. Os estudos sobre a pintura não mostraram nenhuma prova de tinta ou pigmentos na rocha – em vez disso, quando uma amostra de núcleo foi tomada, apurou-se que as cores foram impregnados na própria rocha a uma profundidade de vários metros. Verdade ou não, a lenda estimulou a construção desta maravilhosa igreja. Além da lenda, sua localização é impressionante.

A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, conhecida como Igrejinha, foi o primeiro templo construído em alvenaria na nova capital. Com projeto de Oscar Niemeyer, sua arquitetura faz referência a um chapéu de freiras. Em seu interior e na fachada encontram-se azulejos de Athos Bulcão. Originalmente a parede ao fundo do altar comportava afrescos com bandeirolas e anjos de Alfredo Volpi, mas eles foram cobertos por tinta em uma reforma ocorrida na década de 60. Atualmente a Igrejinha recebeu uma nova pintura, feita por Francisco Galeno. A santa no centro do altar é Nossa Senhora de Fátima, sem rosto. Pipas e flores foram criadas para representar a alegria das crianças que teriam avistado a Virgem Maria em Fátima, Portugal. A Igrejinha, que comporta apenas 60 pessoas, foi tombada pela UNESCO como patrimônio cultural. Adoro a forma, as cores e o ambiente aconchegante dessa verdadeira obra de arte, simples, suscinta e bela!

A Igreja de São Francisco em Salvador faz  parte do convento dos franciscanos. Foi concluída em 1723 e é considerada um dos mais extraordinários monumentos do barroco em todo o mundo. É preciosa pela exuberante decoração interna, folhada em ouro, com entalhes em jacarandá, florões, frisos, arcos, figuras de anjos e pássaros espalhados em vários pontos, além de painéis em azulejos portugueses, retratando cenas da vida de S. Francisco.

Harajuku Church é uma futurista igreja protestante e está localizada em Tóquio. Foi projetada pela empresa de design de Criação Ciel Rouge em 2005. O teto é feito especialmente para reverberar o som natural de 2 segundos para fornecer uma experiência de audição única para fiéis. Rasgos no teto controlam a entrada da iluminação natural e criam um lindo desenho.

Catedral de Nossa Senhora da Glória, em Maringá, no Estado do Paraná, é a mais alta catedral da América Latina. Foi inspirada e idealizada na era dos “spoutiniks” (a palavra “poustinikki” designa o peregrino que se afasta do mundo para ficar mais perto de Deus). De forma cônica, possui um diâmetro de 50 metros e uma nave única. Representa uma arquitetura moderna e arrojada, idealizada por D.Jaime Luiz Coelho e projetada pelo arquiteto José Augusto Bellucci. O cone possui uma altura externa de 114 m, sustentando uma cruz de 10 m. Tem capacidade para abrigar 4.700 pessoas. É linda e um dos mais belos cartões postais do Paraná!

 A Igreja São Francisco de Assis da Pampulha, em Belo Horizonte, foi inaugurada em 1943 e é mais uma obra de arte de Oscar Niemeyer, com cálculo estrutural de Joaquim Cardoso, sendo considerada a obra-prima do Conjunto Arquitetônico da Pampulha. Neste projeto, Oscar Niemeyer faz novos experimentos em concreto armado, abandonando a laje sob pilotis e criando uma abóbada parabólica, até então só utilizada em hangares. A abóbada na capela da Pampulha seria ao mesmo estrutura e fechamento, eliminando a necessidade de alvenarias. Inicia aquilo que seria a diretriz de toda a sua obra: uma arquitetura onde será preponderante a plasticidade da estrutura de concreto armado, em formas ousadas, inusitadas e marcantes.  Decorando o exterior da Igreja há na fachada um painel de azulejos, em tons azuis, de autoria de Cândido Portinari (1903-1962), em homenagem a São Francisco de Assis, o Santo protetor dos animais. Aqui me encanta, além do desenho externo, seu interior minimalista!

 O Santuário Dom Bosco, em Brasília, foi projetado por Carlos Alberto Naves. São 80 colunas em Brise-Soleil com 16 m de altura fechando em estilo gótico, com vitrais em 12 tonalidades de azul, simbolizando um céu estrelado. No teto, desenhos de Carlos Alberto Naves, o lustre central de Alvimar Moreira contém 7.400 copos de vidro Murano e 180 lâmpadas e pesa 2.600 kg. O Cristo de 4,30 m de altura foi esculpido por Gotfredo Traller.

É claro que existem muitas outras igrejas tão ou mais impressionantes que essas. Se formos falar da Itália ou das cidades coloniais mineiras precisaríamos de um blog inteiramente dedicado a isso. De fato, é um tema fascinante e não faltarão oportunidades para mostrarmos aqui!

Imagens: Google Images. Dados: wikipedia.

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Restaurante em São Paulo

por Cris Campos - 03 de abril de 2010

Este é o restaurante Dalva e Dito, dos famosos chefs Alex Atala e Alain Poletto, localizado nos Jardins.  O conceito do restaurante é resgatar a culinária colonial brasileira, resgatando o clima das reuniões de famílias em volta da mesa da cozinha para conversar e saborear a comida farta. Este foi o ponto de partida para o projeto , concebido pelo designer de interiores Marcelo Rosenbaum, que passou uma semana na cidade mineira de Ouro Preto pesquisando as construções, a relação entre suas medidas, e observando as características dos espaços públicos da era colonial. O resultado foi essa linda releitura contemporânea do estilo colonial brasileiro.

No primeiro plano o terraço, que  integra-se ao salão principal por meio de grandes aberturas. Aqui aparecem influências da arquitetura moura, trazidas ao Brasil pelos portugueses na era colonial. Entre elas estão o painel de Athos Bulcão (ao fundo), executado com cerâmica branca e azul e os muxarabis nos fechamentos laterais e na cobertura do terraço. Eles deixam vazar uma luz filtrada, contribuindo para a atmosfera leve e agradável do espaço.

A iluminação suave em tom amarelado cria ambientação intimista no salão principal. As mesas foram confeccionadas com sobras de pisos de demolição, assim como o balcão do bar, com tampo de peroba maciça. As cadeiras de palhinha fazem uma referência direta à casa grande das fazendas. O contraponto ao cenário artesanal fica por conta da cozinha high tech, planejada pelo chef Alain Poletto e separada do salão principal por grandes panos de vidro que permitem ver toda a movimentação dos funcionários e todos os equipamentos.

No subsolo, onde forro e paredes foram revestidos por painéis melamínicos no padrão freijó, o destaque fica para os grafites de Derlon Almeida. Aqui foram dispostos o lounge e a grande mesa comunitária sob uma linha de luminárias antigas. Adoro esse recurso, o efeito é lindo.

Na decoração, elementos artesanais formam um rico conjunto de informações que valoriza a cultura popular brasileira. Um painel em laminado de madeira freijó serve de fundo ao itens que pertenciam ao acervo pessoal de Rosenbaum e incluem ex-votos, fragmentos, artefatos indígenas, peças cerâmicas, objetos vindos da cidade pernambucana de Caruaru. O piso em ladrilho hidráulico, formando lindos tapetes, foi outro responsável pela referência colonial.

As dimensões permitiram a divisão fluida e funcional da área em térreo com bar, salão principal e terraço integrado, além de subsolo com lounge e mais um bar – somados, eles oferecem cerca de 250 lugares. A linguagem artesanal caracteriza a construção e os interiores, começando pelas paredes de aspecto rústico, em composição harmoniosa com o piso de ladrilhos hidráulicos. Elas foram executadas por jovens de grupos de risco social, capacitados pelo Instituto Arapoty para trabalhar com o superadobe, técnica de baixo custo surgida na Índia nos anos 1970 e aparecem tambem na fachada. Na outra lateral, uma caixa formada pelos muxarabis delimita o amplo terraço.

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