Arquitetura

Concreto aparente (1)

por Mariana Lombardi - 15 de fevereiro de 2011


Concreto aparente x Cimento queimado?

A confusão entre os dois materiais é muito comum, ainda mais agora que os revestimentos cimentícios estão sendo muito utilizados. Na verdade os dois têm o mesmo princípio – o aspecto e a cor cinza do cimento aparecendo – mas o concreto aparente é um método construtivo (muito usado na década de 60) e o cimento queimado é um tipo de acabamento.

Um dos sistemas construtivos mais usados nas construções é o concreto armado: concreto (areia, pedra e cimento) + estrutura de aço (armadura de ferro). Se for usado sem acabamentos é denominado concreto aparente.

Isso quer dizer que o concreto não é apenas um acabamento, mas a própria viga, pilar, parede, laje ou piso da construção. Também é possível usá-lo para fazer alguns móveis, como bancos e bancadas.

A grande vantagem é que o material dispensa o desenvolvimento de outras etapas da obra, como emboço e reboco, e não é preciso gastar com outros revestimentos.

Se você quer ter concreto aparente na sua casa, a decisão deve ser tomada ainda na fase de construção. Para ficar aparente, um bom acabamento é fundamental e essa é a grande dificuldade. Por isso, estude o assunto e procure mão-de-obra qualificada para a execução. O cálculo estrutural e o concreto utilizado influenciam no aspecto e devem ser definidos por um engenheiro. Se não for o seu caso, peça para ver trabalhos executados anteriormente pelo seu empreiteiro.

Lembre-se: o concreto não admite muitos retoques e não é como uma parede de alvenaria, que você pode quebrar um pedaço e refazer. Tem que acertar de primeira ou fazer tudo de novo!

Para fazer uma parede em concreto aparente, deve-se fazer uma fôrma para moldar o concreto. Ela pode ser de madeira (mais comum) ou metálica (mais cara e menos usada).

As fôrmas ficam em contato direto com o concreto enquanto o material endurece, marcando sua superfície e definindo a aparência da parede. Devem ser bem travadas para não abrirem quando o concreto for despejado e não deixarem a parede torta.

Fôrmas metálicas – permitem um acabamento mais uniforme e mais liso. Muitas vezes, como na foto acima, os furos da fôrma ficam marcados, eu acho lindo, mas quem não gostar pode cobrir com cimento.

* Este processo é chamado de estucamento, feito com uma mistura do mesmo cimento da parede e aplicado com muita cautela. Mas é comum a emenda sair pior do que estava antes, então nunca deixe um pedreiro inexperiente realizar esse processo, acompanhe de perto caso ele seja necessário.

Fôrmas em madeira – a flexibilidade de acabamentos é maior. Você pode escolher efeitos mais uniforme ou mais texturizados. Para um acabamento quase liso, é necessário utilizar um madeirite emborrachado.

* Se a parede for maior do que a placa de madeirite e você não quiser as juntas aparecendo, igual na foto acima, elas devem ser cobertas por uma fita.

Para conseguir frisos menores, a fôrma pode ser de sarrafos horizontais ou verticais. Eu gosto de todos os efeitos, não consigo definir o meu favorito!

Antes de despejar o concreto é importante aplicar um desmoldante na parte interna da fôrma para facilitar a retirada (tipo passar manteiga na fôrma do bolo de chocolate, sabe?).

Ao despejar o concreto, ele tem que ser bem vibrado para que não fiquem espaços com ar e formem buracos na parede. Geralmente usam um vibrador, que é uma ferramenta elétrica específica para isso.

O concreto leva uns 21 dias para secar, o que é chamado processo de cura do concreto. Após a cura, retira-se a fôrma e está pronto o concreto aparente!

Se a parede ficar com alguma imperfeição (pequenos furos), pode-se fazer o estucamento conforme descrito ali em cima.

Como é poroso, o material precisa da proteção de vernizes ou resinas para não manchar. Existem diversos tipos: brilhantes, foscos, uns que alteram a cor do concreto… Prefiro o fosco, que deixa o aspecto mais natural.

A manutenção é simples e, se realizada da maneira correta, sua parede pode ficar novinha durante muitos anos. Não use sabão ou detergente e limpe sempre com água sob pressão.

Deu pra ver que a execução do concreto aparente é bastante complicada, mas o resultado é belíssimo! É um dos materiais mais bonitos e utilizados na história da arquitetura brasileira. Nomes como Oscar Niemeyer, Rino Levi, Ruy Ohtake, Vilanova Artigas, Eduardo Corona, Paulo Mendes da Rocha, entre muitos outros, utilizaram o concreto aparente com maestria em projetos inesquecíveis.

—–> Para quem quer ter o efeito do concreto aparente em casa, mas não está construindo ou reformando, a solução é usar o cimento queimado.

Fonte de pesquisa: Uol Casa e Ig Casa.

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Guilherme Torres

por Mariana Lombardi - 27 de dezembro de 2010

Eu, Mariana, moro em Brasília desde pequena, mas minha família é de Londrina, Paraná. Como Natal a gente passa com a família… aqui estou eu!

Passeando pela cidade (e conversando com amigos), fica evidente que um dos grandes nomes da arquitetura local é Guilherme Torres, um arquiteto e designer formado por aqui mas com projetos incríveis espalhados por várias cidades brasileiras.

Seu trabalho é moderno e irreverente, linhas retas e mobiliário contemporâneo são suas grandes paixões. Tudo o que se vê com sua marca tem muito conceito e sofisticação. Além de projetos de arquitetura e decoração, super conceituados e publicados em diversas revistas, tem também vários móveis desenhados por ele, como algumas peças  que são vendidas na Micasa.

A casa que ele mora em Londrina é uma ótima referência do seu estilo. Após uma reforma, ele mudou tudo radicalmente e fez um studio despojado e casual, optou por deixar a fiação elétrica aparente, fez móveis em concreto e expôs sua coleção de objetos de design e estampas variadas em cada canto da casa.

A planta baixa do seu studio, básica e somente com o necessário. Tem ainda um pequeno mezanino sobre a sala, onde fica o quarto de hóspede.

A sala tem paredes e piso em concreto aparente. Como vários problemas elétricos e estruturais foram encontrados durante a obra, o arquiteto optou por deixar a tubulação aparente, garantindo um efeito moderno e de baixo custo. (De acorodo com o site Contemporist, foram gastos 6 mil dólares na obra.)

A mesa também foi feita em concreto e serve para comer e trabalhar, sobre ela uma coleção de livros e um belo pendente de cristal. O teto em madeira faz contraste com a frieza do concreto e deixa o espaço mais acolhedor.

O sofá feito em alvenaria tem dois colchões de tecido preto e várias almofadas coloridas com tecidos da estilista Adriana Barra. Simples, lindo e aconchegante!

Detalhe do sofá e de alguns dos objetos coloridos que enfeitam o seu studio.

O tapete felpudo é mais um detalhe para deixar o ambiente mais gostoso. O pé direito duplo garante a modernidade de um típico loft americano.

A parede onde fica a tv recebeu pintura preta e ficou prenchida com os vários dutos da fiação elétrica aparente.

O quarto tem uma atmosfera mais quente em comparação com o resto da casa devido à parede de tijolo aparente atrás da cama. Ficou ainda mais parecido com um loft!

O closet faz a passagem até o banheiro. / A cozinha tem 3m de comprimento por apenas 1,40m de largura e recebeu uma plotagem inspirada num mosaico árabe desenhado pelo próprio arquiteto.

No quarto de hóspede, localizado em um mezanino sobre a sala, a fiação elétrica fica mais evidente e até faz um desenho como se fosse a cabeceira da cama.

Detalhe dos objetos expostos nas laterais da cama no quarto de hóspede.
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Museu Guggenheim NY

por Cris Campos - 09 de dezembro de 2010

Nós já falamos sobre museus aqui no blog e um dos que eu mais tinha vontade de conhecer quando fosse a Nova York, era o Museu Guggenheim, tanto por seu acervo, formado por importantes obras de arte, quanto pelo edifício, uma obra prima da arquitetura moderna. E realmente sua arquitetura é  impressionante, com suas curvas fluidas, a grande clarabóia central, e os pavimentos em forma de rampa, que nos convidam a caminhar por entre as exposições.

O museu foi criado e fundado por Solomon Robert Guggenheim, que imaginava um edifício capaz de abrigar as grandes transformações que a arte moderna representava e que fosse diferente de qualquer outro museu existente. Para isso, o arquiteto escolhido foi Frank Lloyd Wright, um dos arquitetos mais importantes do século XX. E apesar de ter sido inaugurado em 1959, é uma construção super atual.

O edifício é formado por planos ou camadas que dão a impressão de flutuar umas sobre as outras, mas na verdade é o formato de uma sutil espiral, e os planos formam uma rampa única, fluida e contínua.  A principal característica da obra são as formas puras e orgânicas, que dão unidade à obra estando presentes em várias partes e definindo espaços e fluxos.

A enorme clarabóia central forma um desenho lindo e proporciona uma iluminação natural difusa no átrio do museu. O edifício possui ainda clarabóias secundárias, formadas pelas divisões entre os planos. A iluminação proveniente delas favorece a circulação, mas não ilumina as obras de arte, que necessitam de uma iluminação própria que as destaque sem danificá-las.

Para quem gosta de arte e arquitetura, esse é um programa imperdível em Nova York. Além da arquitetura magnífica, estão expostas lá obras de grandes nomes do século 19 até os dias de hoje, como Chagall, Kandinsky, Paul Klee, Miró, Picasso, Van Gogh, entre outros. O museu não é muito grande, dá pra ver tudo em uma hora e a localização é privilegiada, na 5ª avenida com a rua 89, bem em frente ao Lago Jackeline Onassis no Central Park.

Fonte de pesquisa: Wikipédia. / Fotos: connectin.com, google images.

Veja mais no site do museu.

  • Museu Guggenheim – 1071 Fifth Avenue (at 89th Street) New York, NY.
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