iluminação natural

Casa de praia em Paraty

por Cris Campos - 09 de março de 2011

A arquitetura marcante de  Bernardes + Jacobsen somada ao sofisticado projeto de interiores de Fernanda Marques resultaram nessa casa deslumbrante – por dentro e por fora – em Paraty, no estado do Rio de Janeiro.

O pedido dos proprietários foi uma casa transparente e totalmente integrada com a paisagem, o que foi obtido a partir das enormes esquadrias de aço e vidro. São 950m² construídos em estrutura metálica que, no projeto de interiores foi revestida de madeira com o intuito de proteger o aço dos efeitos da maresia.

A fachada evidencia a estrutura metálica revestida em madeira, uma perfeita combinação com os grandes painéis de vidro. A piscina tem em sua volta um banco, uma ideia ótima para tomar sol e conversar dentro d’água.

As fachadas com maior insolação foram protegidas com painéis de madeira ripada, que deixam passar a ventilação e não vedam totalmente a vista.

O mármore travertino bruto, um material que eu adoro por ser sofisticado e rústico ao mesmo tempo, foi escolhido para o piso de toda a área social, além dos quartos e banheiros. A sala é maravilhosa! A decoração segue o mesmo princípio da arquitetura: móveis com desenho moderno se misturam a materiais e acabamentos rústicos.

Na sala é possível notar toda a integração obtida pelo projeto, tanto entre os ambiente como com a paisagem. São enormes esquadrias de vidro e pouquissímas divisões internas. Assim, a luminosidade natural invade os ambientes tornando-os ainda mais agradáveis.

O forro de madeira dá continuidade ao revestimento da estrutura. Os poucos móveis são predominantemente baixos para não atrapalhar a integração.

A decoração do home theater dá continuidade à do restante da casa, com painéis em madeira e móveis baixos em laca branca. Aqui, ao invés do tradicional sofá, duas chaises, com dimensões de cama, oferecem conforto e aconchego. As almofadas listradas da Missoni são lindas!

Os quartos possuem uma vista maravilhosa para o mar e são totalmente integráveis ao terraço do segundo pavimento atráves de portas de madeira tipo camarão.

O travertino do piso se repete nas paredes e bancadas dos banheiros, que também se abrem para a deliciosa vista do terraço.

O paisagismo reforça a integração da casa com a natureza. O mármore travertino bruto também reveste as calçadas de acesso à residência.

Que lugar lindo! Eu passaria uma tarde inteira nessa poltrona…

* Como vocês já devem ter percebido, somos super fãs do trabalho do escritório Bernardes e Jacobsen. Veja mais 2 projetos deles publicados aqui no blog: Casa no Saco do Mamanguá e Casa moderna em São Paulo.

Fotos: Demian Golovaty – Via Revista D`Casa.

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Casa no Saco do Mamanguá

por Cris Campos - 07 de janeiro de 2011

Num cantinho escondido no meio do caminho entre Rio e São Paulo, no município de Paraty, fica o Saco do Mamanguá, o único fiorde tropical da costa brasileira, formado por uma entrada de mar que se estende por 8km até um preservado manguezal na Baía de Ilha Grande. Foi esse o paraíso escolhido como cenário para casa de praia de um casal e seus cinco filhos.

Google Images

Os arquitetos escolhidos para o projeto foram Bernardes e Jacobsen, conhecidos por seu talento em projetar casas rústicas com um conceito moderno, aliando o bom desenho ao uso de sistemas construtivos simples e materiais naturais. Sou super fã do trabalho deles! Aqui a inspiração veio da simplicidade das tradicionais casas de pescadores. A estrutura da casa é toda exposta aparente, formada por grandes peças de eucalipto.

Ao contrário do que o proprietário imaginava, os arquitetos escolheram construir a casa na parte mais baixa do terreno, pensando no aproveitamento da ventilação natural vinda do mar e o resultado foi maravilhoso. A casa fica um pouco elevada e a varanda, com piso de madeira, se estende formando um deck. Vários bancos de madeira cercam a área fazendo as vezes de guarda-corpo.

A casa é toda envidraçada, com generosas aberturas dos dois lados, permitindo uma total integração do interior com o exterior formado pela exuberância da Mata Atlântica. A sala tem pé-direito duplo, favorecendo ainda mais a ventilação e iluminação naturais.

Portas pivotantes permitem a entrada da brisa que vem do mar para ventilar toda a casa e o mar pode ser visto de todos os ângulos. O piso da casa é uma cerâmica  do ateliê de Francisco Brennand, um famoso artista plástico e ceramista de Recife.

A passarela em madeira que liga a suíte master ao quarto das crianças lembra uma ponte na floresta, ou uma casa na árvore, com o guarda-corpo rústico em eucalípto. No telhado, uma clarabóia permite a entrada de luz natural em toda a casa.

A sala de estar recebeu forro de palha, deixando o ambiente ainda mais rústico e aconchegante. A decoração é despojada e recebeu peças de madeira rústica compradas em Bali. Ao fundo, um jardim de inverno formado por plantas nativas da região, como as bananeiras.

A varanda recebeu móveis rústicos e confortáveis.  /Os quartos também têm mobiliário rústico, como a cama em futton, e receberam o mesmo forro de palha da sala.

O deck e os bancos são de madeira tratada. Algumas pessoas resistem a usá-la para esse fim por achar que com o tempo ela fica feia, mas aqui está um exemplo da madeira exposta ao tempo, com o desgaste natural do material. Ela adquire um tom acinzentado que eu, particularmente, acho muito charmoso.

A composição da cor do mar com as das plantas nativas da Mata Atlântica formam um cenário deslumbrante!

O acesso a esse paraíso só é possível por helicóptero ou barco. Pensando na dificuldade dos paparazzi (e na beleza do lugar) não é de se admirar que este tenha sido o cenário escolhido para a lua de mel de Bella com o vampiro Edward no filme Amanhecer, o 4º da saga Crepúsculo, que tem estréia no Brasil prevista para novembro de 2011.

Mesmo com a dificuldade de acesso os curiosos não perdoaram e várias fotos da filmagem estão na internet. Olha os atores usando os bancos da varanda!

Fonte: Architectural Digest

Já mostramos aqui no blog outra casa linda projetada por Bernardes e Jacobsen em São Paulo.

Veja outros cenários de filme aqui e aqui!

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Loft sustentável

por Cris Campos - 03 de dezembro de 2010

O Loft Sustentável foi projetado pela arquiteta Beta Pollis para a Casa Cor Brasília 2010.

A idéia era mostrar ao público que ambientes sustentáveis podem ser elegantes e luxuosos, fazendo com que as pessoas incorporem a sustentabilidade como um estilo de vida, se importando cada vez mais com o futuro do planeta e das novas gerações e procurando o uso consciente dos recursos e materiais disponíveis.

Dessa forma, o loft foi pensado para um casal sofisticado, que não abre mão de conforto e escolheu um modo de vida sustentável, cultivando verduras e legumes em sua própria horta, usando a bicicleta como meio de transporte e buscando toda a tecnologia disponível para uma construção que cause menos impacto ao meio ambiente.

A fachada tem desenho moderno, com platibandas escondendo o telhado e uma linda combinação de pedra, vidro e madeira. A porta de entrada é linda, ocupa quase todo o pé-direito duplo e é feita com madeira de reflorestamento.

A implantação da construção no terreno foi pensada para que a insolação fosse adequada. Assim, a fachada que recebe o sol da manhã é envidraçada e ali se localiza a horta. A fachada que recebe o sol da tarde é mais fechada e recebeu um telhado verde que ameniza a temperatura do interior em até 10%.

A estrutura da edificação é metálica, com alguns elementos de madeira e fechamentos em vidro ou alvenaria. Os enormes panos de vidro receberam uma película com 70% de proteção contra os raios ultravioleta. Quando acabar o evento, esses vidros serão reciclados. As pedras que revestem partes das fachadas são, na verdade, tiras reaproveitadas dos cortes de placas de granito para um efeito chamado spaccato.

No interior, uma palmeira que já existia no terreno ocupa todo o pé direito duplo e recebe irrigação proveniente dos drenos do ar condicionado. A sala recebeu uma decoração sofisticada, com tecidos naturais, como seda e linho, e muitos móveis atemporais com design assinado. Foram usados também alguns móveis antigos, feitos com madeiras que nem existem mais. A combinação de tons neutros e terrosos, associada à iluminação indireta, cria uma atmosfera aconchegante.

Uma das idéias mais legais desse projeto é a horta, que foi colocada numa caixa de aço corten formando uma jardineira que invade a cozinha gourmet, lá no fundo da foto. A horta apresenta uma tecnologia de cultivo japonesa, onde se cultivam hortaliças e alguns legumes com um substrato de apenas 10cm. Essa mesma tecnologia foi utilizada para o cultivo da grama que cobre o telhado verde. A cozinha gourmet, que recebe o sol da manhã, é coberta por uma enorme clarabóia, que permite a entrada de bastante luz natural.

Vários recursos de automação foram utilizados, não só para controlar a iluminação, através de sensores de insolação, mas também a irrigação da horta e do telhado verde. Outros conceitos essenciais para construções sustentáveis também foram abrangidos, como a captação e reuso de águas pluviais e do chuveiro, lavatórios e lavandeira para a limpeza e irrigação.

O piso da sala é em mármore, mas nesse caso ele foi utilizado numa versão super fina, de 5 mm.  No hall da escada, onde ficam as bicicletas, o piso é um cimentício. No fundo da escada foi utilizado o cimentício Rerthy, que foi fabricado conforme o desenho da própria arquiteta. A escada é bem leve, executada com estrutura metálica, degraus de madeira soltos e guarda-corpo em vidro temperado.

O projeto também priorizou a ventilação cruzada e os aparelhos de ar-condicionado escolhidos possuem  características que minimizam seu impacto no meio ambiente, como baixo consumo de energia, filtros que previnem bactérias e o gás que não agride a camada de ozônio. No piso do quarto, madeira de demolição.

Além de apresentar soluções viáveis e sustentáveis em um loft muito bem dividido e elegantemente decorado, é importante destacar toda a preocupação com a sustentabilidade da obra, executada para um evento com duração de apenas 40 dias, onde normalmente o que se vê é um desperdício enorme. Nesse caso, alguns materiais utilizados vieram de demolições de outras obras e, após a desmontagem, muitos elementos serão reaproveitados em outras construções, como toda a estrutura metálica. Telhas, fiação e tubulações serão doados e os vidros e entulhos serão reciclados.

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